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Avaliação dos achados dermatoscópicos em pacientes em carcinoma espinocelular cutâneo de acordo com o subtipo histopatológico e morfologia da lesão
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Mustafa Ürüna,
Corresponding author
mustafaurun@trakya.edu.tr

Autor para correspondência.
, Yıldız Gürsel Ürüna, Ömer Faruk Elmasb, Nuray Canc
a Departamento de Dermatologia, Faculty of Medicine, Trakya University, Edirne, Turquia
b Departamento de Dermatologia, Medicana International Istanbul Hospital, İstambul, Turquia
c Departamento de Patologia, Faculty of Medicine, Trakya University, Edirne, Turquia
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Received 21 July 2024. Accepted 23 September 2024
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Tabela 1. Características demográficas, clínicas e diagnósticos histopatológicos de pacientes com carcinoma espinocelular cutâneo
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Tabela 2. Distribuição dos achados dermatoscópicos no carcinoma espinocelular cutâneo invasivo, doença de Bowen e ceratoacantoma
Tables
Tabela 3. Distribuição dos achados dermatoscópicos no carcinoma espinocelular cutâneo invasivo de acordo com a diferenciação histopatológica
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Tabela 4. Distribuição dos achados dermatoscópicos em pacientes com carcinoma espinocelular invasivo nodular e ceratoacantoma nodular
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Resumo
Fundamentos

O carcinoma de células escamosas ou espinocelular cutâneo (CECc) inclui CECc in situ (doença de Bowen [DB]) e CECc invasivo. Em contraste, o ceratoacantoma (KA) é um CECc bem diferenciado com tendência à autorresolução. A dermatoscopia auxilia na avaliação de alterações vasculares e do padrão de queratinização para diagnosticar e rastrear a invasão do CECc.

Objetivos

Examinar os achados dermatoscópicos do CECc de acordo com a diferenciação histopatológica e as características morfológicas clínicas.

Métodos

Imagens clínicas e dermatoscópicas de 118 CECc foram examinadas retrospectivamente.

Resultados

Comparado a outros subtipos de CECc, a DB apresentou‐se mais frequentemente com pigmentação (p=0,028) e um padrão vascular aglomerado (p=0,042) ou serpiginoso (p=0,006). Tampões centrais de queratina foram mais comuns em CECcs invasivos bem diferenciados (p=0,021), enquanto círculos brancos ao redor dos folículos (p<0,001), ulceração/sangramento (p=0,001) e fundo vermelho (p=0,004) foram observados mais frequentemente em CECcs invasivos mal diferenciados. Tampões centrais de queratina (87,5%) e padrão vascular ramificado (75%) foram observados em pacientes com KA nodular, ambos estatisticamente mais frequentes do que em CECc invasivo (p<0,001, p=0,040, respectivamente). Halos brancos ao redor dos vasos (p=0,004) e padrão vascular aglomerado (p=0,037) foram mais comuns em CECc invasivos nodulares em comparação com KA nodular.

Limitações do estudo

O número de lesões examinadas nos subgrupos foi relativamente pequeno.

Conclusões

A dermatoscopia auxilia na distinção entre CECcs invasivos bem diferenciados e CECcs invasivos mal diferenciados, na diferenciação entre KA nodular e CECc invasivo nodular e no diagnóstico da DB. Mais estudos são necessários para identificar achados dermatoscópicos que possam distinguir o CECc invasivo moderadamente diferenciado de outros CECcs invasivos.

Palavras‐chave:
Carcinoma de células escamosas
Ceratoacantoma
Dermatoscopia
Doença de Bowen
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Introdução

O carcinoma de células escamosas ou espinocelular cutâneo (CECc) é responsável por 20% a 30% das neoplasias malignas de pele não melanoma.1 O CECc abrange um amplo espectro de lesões clínicas que variam em termos de atipia celular e displasia, desde lesões precursoras a CECc in situ e CECc invasivo.2 Há três subtipos principais de CECc: doença de Bowen (DB), ceratoacantoma (KA) e CECc invasivo.3

Os achados dermatoscópicos da DB (ou seja, CECc in situ) incluem um fundo rosa ou pigmentado acompanhado por vasos glomerulares aglomerados e vasos pontilhados, escamas branco‐amareladas e erosão.4 O KA compartilha características clínicas e histopatológicas comuns com o CECc bem diferenciado.5 O KA raramente se transforma em CECc invasivo e, portanto, seu diagnóstico preciso evita o tratamento excessivo.6

O CECc invasivo tem sinais dermatoscópicos específicos relacionados à sua diferenciação e profundidade de invasão.7 As estruturas dermatoscópicas vistas no CECc podem ser resumidas da seguinte maneira: 1) queratina, central ou não, 2) estruturas vasculares, 3) ulceração e 4) áreas brancas sem estrutura.8 À medida que o CECc invasivo se torna indiferenciado, as estruturas de queratina desaparecem, um padrão polimórfico de vasos lineares cobre a lesão e surge ulceração.9 A indiferenciação histopatológica é importante fator de risco na agressividade do CECc e no risco de recidiva.3,10 O diagnóstico diferencial precoce das variantes do CECc é especialmente importante, considerando o potencial metastático do CECc invasivo.11

O presente estudo teve como objetivo examinar os achados dermatoscópicos em casos de CECc invasivo com grau de diferenciação histopatológica variado, bem como comparar os achados dermatoscópicos de acordo com diferentes características morfológicas em pacientes com CECc e avaliar os achados dermatoscópicos de pacientes apresentando CECc invasivo nodular em comparação com aqueles de pacientes com KA. O objetivo também incluiu contribuir com a literatura revisando os achados dermatoscópicos da DB.

MétodosDeclaração de ética

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Clínica Não Intervencionista da Faculdade de Medicina, Universidade Trakya (2023/479).

Pacientes

Este estudo transversal retrospectivo examinou os registros de 118 pacientes de janeiro de 2019 a julho de 2024 no ambulatório de doenças dermatológicas e venéreas da Trakya University. O estudo incluiu pacientes que tinham diagnóstico histopatológico de CECc invasivo, DB ou KA após excisão cirúrgica completa do tumor, que tinham fotografias macroscópicas e dermatoscópicas de alta qualidade e dados sociodemográficos e clínicos disponíveis.

As características sociodemográficas dos pacientes (idade, gênero, histórico de CEC, fototipo de Fitzpatrick), características clínicas (presença de múltiplas ceratoses actínicas, duração da lesão, localização da lesão em área exposta ao sol ou protegida)12 e diagnóstico histopatológico (CECc bem diferenciado, CECc moderadamente diferenciado, CECc pouco diferenciado, DB ou KA) foram registrados por um membro da equipe de pesquisa (M.Ü.). O mesmo pesquisador avaliou imagens macroscópicas para características morfológicas da lesão (pápula/placa eritematosa, pápula/placa hiperceratótica, nódulo hiperceratótico, tumor, pápula/placa ulcerada e nódulo ulcerado) e classificou as lesões como planas ou elevadas após avaliar suas características clínicas. Fotografias macroscópicas foram coletadas do arquivo de imagens da clínica. Pacientes que tinham CECc invasivo e KA com morfologia nodular foram avaliados em subgrupos separados. Como a ulceração é rara em KA, lesões nodulares ulceradas não foram avaliadas. A classificação histopatológica foi feita de acordo com os critérios diagnósticos definidos pela OMS em 2024 (N.C).13

Dermatoscopia

As imagens dermatoscópicas foram obtidas utilizando lentes 20× e um sistema de dermatoscopia com base na plataforma FotoFinder (FotoFinder Systems GmbH, Alemanha). Todas as imagens foram obtidas por dermatoscopia de contato com álcool gel ou gel de ultrassom em pacientes com lesões altamente elevadas. A avaliação das imagens dermatoscópicas foi realizada de maneira independente por dois pesquisadores (Y.G.Ü e Ö.F.E), ambos cegos para as informações clínicas e diagnósticos histopatológicos dos pacientes. As imagens dermatoscópicas foram recuperadas do banco de dados do sistema de videodermatoscopia digital da clínica.

Utilizando os parâmetros especificados por Sgouros et al. e Rosendahl et al.,3,8 as imagens dermatoscópicas foram avaliadas sob os seguintes apectos principais: 1) características da queratinização (escamas, tampão central de queratina, halos brancos ao redor dos vasos, círculos brancos, massas brancas, linhas brancas, massas/pontos brancos, áreas brancas sem estrutura e rosetas; figs. 1 e 2); 2) solução de continuidade epidérmicas e dérmicas (ulceração/sangramento, erosão e pontos hemorrágicos); e 3) cor de fundo (branco, rosa, vermelho ou misto). Além disso, os vasos foram classificados em maior detalhe de acordo com 1) padrão vascular (monomorfo, polimorfo, sem padrão vascular claro); 2) estruturas vasculares (pontos, torrões, linhas; figs. 3 e 4); e 3) padrão vascular (aleatório, aglomerado, serpiginoso, linear, centralizado, radial, reticular, ramificado; figs. 5 e 6). As estruturas vasculares lineares foram avaliadas como retas, em alça, curvas, serpiginosas, helicoidais ou enoveladas (figs. 3 e 4).14 Os termos dermatoscópicos utilizados são baseados no estudo de Kittler et al.15

Figura 1.

Características dermatoscópicas da queratinização no carcinoma espinocelular cutâneo. (A) Crosta/escama de queratina. (B) Tampão central de queratina. (C) Halos brancos ao redor dos vasos. (D) Círculos brancos ao redor dos folículos.

(0.48MB).
Figura 2.

Características dermatoscópicas da queratinização no carcinoma espinocelular cutâneo. (A) Linhas brancas. (B) Torrões/pontos brancos. (C) Áreas brancas sem estrutura. (D) Rosetas.

(0.44MB).
Figura 3.

Estruturas vasculares no carcinoma espinocelular cutâneo. (A) Pontos. (B) Torrões. (C) Linhas retas. (D) Linhas em alça.

(0.34MB).
Figura 4.

Estruturas vasculares no carcinoma espinocelular cutâneo. (A) Linhas curvas. (B) Linhas serpiginosas. (C) Linhas helicoidais. (D) Linhas enoveladas.

(0.45MB).
Figura 5.

Padrão vascular na dermatoscopia. (A) Aleatório. (B) Aglomerado. (C) Serpiginoso. (D) Linear.

(0.43MB).
Figura 6.

Padrão vascular na dermatoscopia. (A) Centralizado. (B) Radial. (C) Reticular. (D) Ramificado.

(0.36MB).
Análise estatística

Os dados obtidos no estudo foram analisados usando o programa IBM SPSS Statistics versão 21. Frequência, porcentagem, média e desvio padrão foram usados como métodos estatísticos descritivos na análise de dados. A concordância dos achados dermatoscópicos identificados pelos dois médicos foi avaliada usando a estatística Kappa de Cohen. Os achados dermatoscópicos mostraram alta concordância intra‐avaliador e foram comparados com os achados histopatológicos usando os testes Qui‐quadrado e exato de Fisher. Valor de p<0,05 foi considerado estatisticamente significante.

ResultadosCaracterísticas demográficas e clínicas dos pacientes

A média de idade dos pacientes foi de 69,05±11,92 anos, e a proporção masculinos:femininos foi de 2:1. A maioria das lesões estava localizada na região da cabeça e pescoço (n=102; 86,4%). Lesões múltiplas de ceratose actínica foram detectadas em 38,1% (n=45) dos pacientes no momento do diagnóstico. A classificação histopatológica foi CECc bem diferenciado em 50 pacientes (42,2%), CECc moderadamente diferenciado em 19 pacientes (16,1%), CECc pouco diferenciado em 16 pacientes (13,6%), DB em 10 pacientes (8,5%) e KA em 23 pacientes (19,5%; tabela 1).

Tabela 1.

Características demográficas, clínicas e diagnósticos histopatológicos de pacientes com carcinoma espinocelular cutâneo

  n=118 
Idade (anos), média±DP (variação)  69,05±11,92 (42–90) 
Gênero, n (%)   
Masculino  79 (66,9) 
Feminino  39 (33,1) 
Duração da lesão (meses), média±DP (variação)  14,78±29,53 (1–240) 
História anterior de CEC, n (%)  21 (17,8) 
Ceratoses actínicas múltiplasa, n (%)  45 (38,1) 
Fototipo de Fitzpatrick, n (%)   
II  49 (41,5) 
III  56 (47,5) 
IV  13 (11,0) 
Localização, n (%)   
Cabeça e pescoço  102 (86,4) 
Membros superiores  10 (8,5) 
Tronco  4 (3,4) 
Membros inferiores  2 (1,7) 
Localização da lesão, n (%)b   
Exposta ao sol  106 (89,8) 
Protegida do sol  12 (10,2) 
Subtipo histopatológico, n (%)   
CECc bem diferenciado  50 (42,4) 
CECc moderadamente diferenciado  19 (16,1) 
CECc pouco diferenciado  16 (13,6) 
Doença de Bowen  10 (8,5) 
Ceratoacantoma  23 (19,4) 

CECc, carcinoma espinocelular cutâneo.

a

Pacientes com ceratoses actínicas múltiplas diagnosticadas clínica e dermatoscopicamente no momento do diagnóstico de CEC cutâneo.

b

De acordo com o estudo de Morelló‐Vicente et al.12

Quando as características morfológicas determinadas pela análise da imagem clínica foram correlacionadas como o subtipo histopatológico, observou‐se que os CECcs bem diferenciados mais comumente se apresentavam como pápulas/placas hiperceratóticas (n=29; 58%), CECcs pouco diferenciados como pápulas/placas e nódulos ulcerados (n=6; 37,5%), DB como pápulas/placas eritematosas (n=8; 80%) e KA como nódulos hiperceratóticos (n=16; 69,5%; ver tabela suplementar 1).

Características dermatoscópicas

Houve concordância completa entre as avaliações dos dois médicos para os parâmetros de pigmentação dermatoscópica, vasos ausentes, ulceração/sangramento, erosão, pontos hemorrágicos e fundo rosa (κ=1,000; p<0,001). Também houve alta concordância para todas as outras características dermatoscópicas (p<0,001 para todos os parâmetros, exceto padrão vascular linear, p=0,003; ver tabela suplementar 2).

Os achados dermatoscópicos mais comuns no CECc incluíram crosta/escama de queratina (78,9%), estruturas vasculares lineares serpiginosas (74,5%), padrão vascular aleatório (67,7%), torrões/pontos brancos (66,1%), áreas brancas sem estrutura (65,2%) e pontos hemorrágicos (63,5%; tabela suplementar 3). A distribuição dos achados dermatoscópicos em CECc invasivo, DB e KA é mostrada na tabela 2. Pigmentação observada na dermatoscopia foi mais comum em pacientes com DB do que em pacientes com CECc invasivo e KA (p=0,028). Estruturas vasculares serpiginosas lineares foram detectadas com mais frequência em CECc invasivo e DB do que em KA (p=0,028). O padrão vascular linear enovelado foi mais comum em DB (p=0,032). Padrões vasculares aglomerados e serpiginosos também foram detectados com mais frequência em DB do que em CECc invasivo e KA (p=0,042 e p=0,006, respectivamente). O tampão central de queratina foi detectado com mais frequência em KA do que em CECc invasivo e DB (p<0,001). Áreas brancas sem estrutura foram menos comuns em pacientes com DB do que em pacientes com CECc invasivo e KA (p=0,039). O achado dermatoscópico de ulceração/sangramento foi mais comum em CECc invasivo, e não foi observado em nenhum paciente com DB (p<0,001).

Tabela 2.

Distribuição dos achados dermatoscópicos no carcinoma espinocelular cutâneo invasivo, doença de Bowen e ceratoacantoma

  CECc invasivo(n=85)  Doença de Bowen(n=10)  Ceratoacantoma(n=23)  Fishera  p‐valora 
Achados dermatoscópicos  n (%)  n (%)  n (%)  n (%)  n (%) 
Pigmentação observada na dermatoscopia  4 (4,8)  3 (30,0)  1 (4,3)  6,486  0,028 
Padrão vascular           
Ausente  12 (14,1)  1 (10,0)  8 (34,7)  2,232  0,345 
Monomórfico  31 (36,5)  5 (50,0)  7 (30,5)  1,418  0,481 
Polimórfico  42 (49,4)  4 (40,0)  8 (34,8)  1,693  0,416 
Estruturas vasculares           
Pontos           
Torrões  46 (54,1)  8 (80,0)  12 (52,2)  2,408  0,293 
Linhas retas  23 (27,1)  3 (30,0)  5 (21,7)  0,421  0,885 
Linhas em alça  30 (35,3)  2 (20,0)  5 (21,7)  1,959  0,409 
Linhas curvas  51 (60,0)  5 (50,0)  8 (34,8)  4,699  0,097 
Linhas serpiginosas  30 (35,3)  1 (10,0)  4 (17,4)  4,437  0,119 
Linhas helicoidais  68 (80,0)  8 (80,0)  12 (52,2)  6,929  0,028 
Linhas enoveladas  34 (40,0)  7 (70,0)  5 (21,7)  6,791  0,032 
Padrão vascular           
Aleatório  58 (68,2)  7 (70,0)  15 (65,2)  0,180  0,946 
Aglomerado  15 (16,5)  4 (40,0)  1 (4,3)  6,049  0,042 
Serpiginoso  5 (5,9)  4 (40,0)  2 (8,7)  8,772  0,006 
Linear  9 (10,6)  – (0,0)  2 (8,7)  0,467  0,891 
Central  4 (4,7)  1 (10,0)  1(10,0)  1,649  0,509 
Radial  32 (37,6)  1 (10,0)  4 (17,4)  3,033  0,221 
Reticular  6 (7,1)  – (0,0)  ‐ (0,0)  1,412  0,486 
Ramificado  29 (34,1)  – (0,0)  12 (52,1)  5,425  0,065 
Características da queratinização           
Crosta/escama de queratina  65 (76,4)  7 (70,0)  21 (91,4)  0,851  0,676 
Tampão central de queratina  29 (34,1)  1 (10,0)  18 (78,5)  18,557  <0,001 
Halos brancos ao redor dos vasos  24 (28,2)  3 (30,0)  6 (26,1)  0,163  1,000 
Círculos brancos ao redor dos folículos  27 (31,8)  2 (20,0)  5 (21,7)  1,271  0,153 
Linhas brancas  36 (42,4)  2 (20,0)  8 (34,8)  1,995  0,423 
Torrões/pontos brancos  60 (70,6)  5 (50,0)  13 (56,5)  2,984  0,246 
Áreas brancas sem estrutura  60 (70,6)  3 (30,0)  14 (60,9)  6,404  0,039 
Rosetas  19 (22,4)  – (0,0)  3 (13,0)  2,600  0,294 
Ulceração/sangramento  34 (40,0)  – (0,0)  2 (8,7)  13,801  <0,001 
Erosão  24 (28,2)  3 (30,0)  2 (8,7)  3,519  0,165 
Pontos hemorrágicos  58 (68,2)  4 (40,0)  13 (56,5)  3,239  0,205 
Cor de fundo           
Branca  20 (23,6)  2 (20,0)  12 (47,8)  4,780  0,096 
Rosa  10 (11,7)  2 (20,0)  2 (8,7)  1,098  0,648 
Vermelha  10 (11,7)  2 (20,0)  1 (4,3)  1,993  0,317 
Mista  45 (53,0)  4 (40,0)  8 (34,8)  1,744  0,444 
a

Teste exato de Fisher e teste qui‐quadrado de Pearson. Resultados estatisticamente significantes (p<0,05) mostrados em negrito.

A comparação dos achados dermatoscópicos de acordo com a diferenciação histopatológica do CECc invasivo é mostrada na tabela 3. O tampão central de queratina foi mais comum em pacientes com CECcs bem diferenciados do que em pacientes com CECcs moderadamente e mal diferenciados (p=0,021). Círculos brancos ao redor dos folículos, ulceração/sangramento e fundo vermelho foram achados dermatoscópicos significantemente mais comuns em CECcs mal diferenciados do que em outros subtipos histopatológicos de CECc invasivo (p<0,001, p=0,001 e p=0,004, respectivamente).

Tabela 3.

Distribuição dos achados dermatoscópicos no carcinoma espinocelular cutâneo invasivo de acordo com a diferenciação histopatológica

  Bem diferenciado(n=50)  Moderadamente diferenciado (n=19)  Pouco diferenciado(n=16)  Fishera  p‐valora 
Achados Dermatoscópicos  n (%)  n (%)  n (%)  n (%)  n (%) 
Pigmentação observada na dermatoscopia  2 (4,0)  1 (5,3)  1 (6,2)  4,250  0,111 
Padrão vascular           
Ausente  8 (4,0)  3 (15,8)  1 (6,2)  0,309  0,947 
Monomórfico  20 (40,0)  5 (26,3)  4 (25,0)  1,293  0,534 
Polimórfico  22 (44,0)  11 (57,9)  11 (68,8)  2,710  0,582 
Estruturas vasculares           
Pontos  25 (50,0)  11 (57,9)  10 (62,5)  0,905  0,630 
Torrões  9 (18,0)  7 (36,8)  7 (43,8)  5,342  0,058 
Linhas retas  13 (26,0)  10 (52,6)  7 (43,8)  4,906  0,079 
Linhas em alça  29 (58,0)  11 (57,9)  11 (68,8)  0,633  0,786 
Linhas curvas  14 (28,0)  9 (47,4)  7 (43,8)  2,879  0,250 
Linhas serpiginosas  37 (74,0)  16 (84,2)  15 (93,8)  2,925  0,247 
Linhas helicoidais  8 (16,0)  4 (21,1)  4 (25,0)  0,963  0,688 
Linhas enoveladas  16 (32,0)  16 (47,4)  9 (56,3)  3,537  0,181 
Padrão vascular           
Aleatório  31 (62,0)  15 (78,9)  12 (75,0)  2,241  0,324 
Aglomerado  5 (10,0)  6 (31,6)  3 (18,8)  4,647  0,086 
Serpiginoso  4 (8,0)  – (0,0)  1 (6,3)  1,295  0,698 
Linear  4 (8,0)  2 (10,5)  3 (18,8)  1,706  0,427 
Centrado  2 (4,0)  1 (5,3)  1 (6,3)  0,733  1,000 
Radial  22 (44,0)  5 (26,3)  5 (31,3)  2,071  0,352 
Reticular  3 (6,0)  2 (10,5)  1 (6,3)  0,783  0,840 
Ramificado  15 (30,0)  9 (47,4)  5 (31,3)  1,921  0,437 
Características de queratinização           
Crosta/escama de queratina  42 (84,0)  13 (68,5)  10 (62,5)  1,749  0,449 
Tampão central de queratina  23 (46,0)  4 (21,1)  2 (12,5)  7,709  0,021 
Halos brancos ao redor dos vasos  14 (28,0)  6 (31,6)  4 (25,0)  0,252  0,893 
Círculos brancos ao redor dos folículos  9 (18,0)  6 (31,6)  12 (75,0)  18,170  <0,001 
Linhas brancas  25 (50,0)  7 (36,8)  4 (25,0)  3,301  0,187 
Torrões/pontos brancos  35 (68,0)  15 (78,9)  10 (62,5)  2,373  0,294 
Áreas brancas sem estrutura  39 (78,0)  11 (57,9)  10 (62,5)  3,422  0,193 
Rosetas  14 (28,0)  3 (15,8)  2 (12,5)  1,968  0,365 
Ulceração/sangramento  15 (30,0)  6 (31,6)  13 (81,2)  13,587  0,001 
Erosão  14 (28,0)  8 (42,1)  2 (12,5)  3,642  0,173 
Pontos hemorrágicos  32 (64,0)  14 (73,7)  12 (75,0)  0,917  0,685 
Cor de fundo           
Branca  14 (28,0)  5 (26,3)  1 (6,25)  1,505  0,535 
Rosa  6 (12,0)  3 (15,8)  1 (6,25)  0,752  0,808 
Vermelha  3 (6,0)  1 (5,3)  6 (37,5)  9,580  0,004 
Mista  27 (54,0)  10 (52,6)  8 (50,0)  0,142  1,000 
a

Teste exato de Fisher e teste qui‐quadrado de Pearson. Resultados estatisticamente significantes (p<0,05) mostrados em negrito.

Com base em imagens macroscópicas e características clínicas, 20,3% das lesões eram planas. Quando as características dermatoscópicas foram comparadas entre lesões de CECc planas e elevadas, observou‐se que pigmentação observada na dermatoscopia e ulceração/sangramento eram proeminentes em lesões planas (p<0,001, p=0,004, respectivamente), enquanto o tampão central de queratina era mais comum em lesões elevadas (p<0,001; tabela suplementar 4).

As características dermatoscópicas de 14 pacientes com CECc invasivo e 16 pacientes com KA com morfologia nodular são comparadas na tabela 4. Os achados dermatoscópicos mais comuns em lesões nodulares foram escamas (n=21, 70%), tampão central de queratina (n=20, 66,7%) e áreas brancas sem estrutura (n=18, 60%). Tampão central de queratina e padrão vascular ramificado foram observados em 87,5% e 75% dos pacientes com KA, o que foi estatisticamente mais frequente do que no CECc invasivo (p ≤ 0,001, p=0,040, respectivamente). Os achados dermatoscópicos de halo branco ao redor dos vasos e padrão vascular aglomerado foram estatisticamente mais comuns no CECc nodular invasivo em comparação com o KA nodular (p=0,004 e p=0,037, respectivamente).

Tabela 4.

Distribuição dos achados dermatoscópicos em pacientes com carcinoma espinocelular invasivo nodular e ceratoacantoma nodular

  CECc invasivo nodular(n=14)  KA Nodular(n=16)  Total  p‐valora 
Achados dermatoscópicos  n (%)  n (%)  n (%)   
Pigmentação observada na dermatoscopia  – (0,0)  – (0,0)  – (0,0)  – 
Padrão vascular         
Ausente  3 (21,4)  3 (18,8)  6 (20,0)  0,919 
Monomórfico  5 (35,7)  7 (43,7)  12 (40,0)  0,709 
Polimórfico  6 (42,9)  6 (37,5)  12 (40,0)  0,765 
Estruturas vasculares         
Pontos  7 (50,0)  8 (50,0)  15 (50,0)  1,000 
Torrões  3 (21,4)  2 (12,5)  5 (16,7)  0,642 
Linhas retas  3 (21,4)  3 (18,8)  6 (20,0)  1,000 
Linhas em alça  8 (58,1)  7 (43,8)  15 (50,0)  0,464 
Linhas curvas  4 (28,6)  3 (18,8)  7 (23,3)  0,675 
Linhas serpiginosas  9 (64,3)  9 (56,2)  18 (60,0)  0,654 
Linhas helicoidais  3 (21,4)  1 (6,2)  4 (13,3)  0,315 
Linhas enoveladas  5 (35,7)  4 (25,0)  9 (30,0)  0,694 
Padrão vascular         
Aleatório  8 (57,1)  8 (50,0)  16 (53,3)  0,696 
Aglomerado  4 (28,6)  – (0,0)  4 (13,3)  0,037 
Serpiginoso  – (0,0)  – (0,0)  – (–)  – 
Linear  – (0,0)  – (0,0)  – (–)  – 
Centrado  3 (21,4)  1 (6,2)  4 (13,3)  1,000 
Radial  6 (42,9)  5 (31,2)  11 (36,7)  0,510 
Reticular  2 (14,3)  – (0,0)  2 (6,7)  0,209 
Ramificado  5 (35,7)  12 (75)  17 (56,7)  0,040 
Características da queratinização         
Crosta/escama de queratina  10 (71,4)  11 (68,8)  21 (70,0)  1,000 
Tampão central de queratina  6 (42,8)  14 (87,5)  20 (66,7)  <0,001 
Halos brancos ao redor dos vasos  10 (71,4)  3 (18,8)  13 (43,3)  0,004 
Círculos brancos ao redor dos folículos  7 (50,0)  4 (25,0)  11 (36,7)  0,156 
Linhas brancas  5 (35,7)  4 (25,0)  9 (30,0)  0,694 
Torrões/pontos brancos  9 (64,3)  7 (43,8)  16 (53,3)  0,261 
Áreas brancas sem estrutura  9 (64,3)  9 (56,3)  18 (60,0)  0,654 
Rosetas  6 (42,8)  3 (18,8)  9 (30,0)  0,236 
Ulceração/sangramento  – (0,0)  – (0,0)  – (0,0)  – 
Erosão  1 (7,1)  1 (6,3)  2 (6,7)  1,000 
Pontos hemorrágicos  6 (42,9)  7 (43,8)  13 (43,3)  0,961 
Cor de fundo         
Branca  7 (50,0)  9 (56,2)  16 (53,3)  0,696 
Rosa  2 (14,3)  1 (6,2)  3 (10,0)  0,586 
Vermelha  1 (7,1)  1 (6,2)  2 (6,7)  1,000 
Mista  4 (28,6)  5 (31,2)  9 (30,0)  1,000 

CECc, carcinoma espinocelular cutâneo; KA, ceratoacantoma.

a

Teste exato de Fisher e teste Qui‐quadrado de Pearson. Resultados estatisticamente significantes (p<0,05) são mostrados em negrito.

Discussão

As características sociodemográficas e clínicas dos pacientes do presente estudo foram consistentes com estudos anteriores, indicando que a maioria dos pacientes com CECc são masculinos e idoso, e as lesões são mais comumente localizadas na região da cabeça e pescoço.16,17 A incidência de ceratose actínica aumenta com a idade, e esse aumento é maior na faixa etária de 70 anos.18 Ceratoses actínicas múltiplas são fatores de risco para o desenvolvimento de CECc invasivo.19 Foi relatado que o percentual de ceratoses actínicas múltiplas acompanhando CECc invasivo é de 11,5%.17 Essa taxa foi maior no presente estudo. Isso pode estar relacionado ao fato de a média de idade do presente estudo ser 69,05 anos e os pacientes serem monitorados regularmente para ceratose actínica e CECc.

Em diferentes estudos, a pigmentação observada na dermatoscopia em CECc é relatada como variando entre 0,01% e 25%.20 Sua prevalência foi maior (5,5%) em DB pigmentada.21 No presente estudo, essa taxa foi de 6,7% e foi mais comumente observada em DB. Ao avaliar os achados dermatoscópicos, deve‐se ter em mente que pigmentação é raramente vista em KA e CECc invasivo.

Os achados dermatoscópicos mais comuns no CECc são os vasos lineares irregulares.3,16 Se os vasos lineares tiverem mais de uma volta, são chamados de vasos serpiginosos.14,15 Vasos lineares irregulares são também denominados vasos serpiginosos.22,23 Em um estudo de Lallas et al., os achados dermatoscópicos de CECc invasivo incluíram vasos lineares irregulares radiais e pontilhados.16 Embora os estudos utilizem nomenclaturas dermatoscópicas diferentes, vasos serpiginosos e pontilhados na dermatoscopia devem ser valorizados para o diagnóstico de CECc, como indica a literatura.

Rosendahl et al. determinaram que o padrão vascular em KA e CECc invasivo era mais frequentemente aleatório, isto é, não específico.8 No presente estudo, distribuição semelhante foi observada em subtipos diferentes de DB. Vários estudos demonstraram que os vasos glomerulares e padrão vascular aglomerado são achados importantes no diagnóstico dermatoscópico de DB.3,9 Como resultado, vasos glomerulares e arranjo vascular aglomerado ajudam a diferenciar a DB de KA e CECc invasivo.

CECcs invasivos bem diferenciados mostram padrão de crescimento exofítico e apresentam estruturas brancas acompanhadas de escamas na dermatoscopia.16,23 Sgouros et al. detectaram o achado dermatoscópico de aberturas foliculares brancas com mais frequência em CECc invasivo bem diferenciado.3 Manfredini et al. relataram que o achado dermatoscópico de áreas brancas sem estrutura era mais comum em CECcs invasivos bem diferenciados.24 Em um estudo conduzido em 2024, foi determinado que achados dermatoscópicos como queratina agrupada centralmente, círculos brancos e halo perivascular esbranquiçado foram mais comumente observados em CECc invasivo bem diferenciado em comparação com CECc invasivo pouco diferenciado.25

Lallas et al. enfatizaram que aglomeração central de escamas ou queratina em imagens dermatoscópicas era fator preditivo negativo do diagnóstico de CECc invasivo pouco diferenciado.16 No presente estudo, achados dermatoscópicos do tampão central de queratina, crosta/escama de queratina e áreas brancas sem estrutura foram vistos com mais frequência em CECcs invasivos bem diferenciados.

O CECc pouco diferenciado apresenta‐se clinicamente como lesão plana e dermatoscopicamente de cor vermelha, frequentemente com estruturas vasculares anormais.16,24 Foi enfatizado que o achado dermatoscópico de vasos arboriformes é importante para o diagnóstico de CECcs invasivos pouco diferenciados. No presente estudo, os CECcs invasivos foram analisados em dois grupos: bem diferenciados e pouco diferenciados.25 Tanto o presente estudo quanto o estudo de Sgouros et al.3 analisaram o CECc invasivo dividido em três subtipos histopatológicos diferentes. Nenhuma diferença foi encontrada entre esses três subtipos histopatológicos diferentes em relação ao padrão vascular dermatoscópico. Entre os pacientes com CECc pouco diferenciado no presente estudo, ulceração foi detectada clinicamente em 75%, e ulceração/sangramento e fundo vermelho foram mais comuns dermatoscopicamente. Os autores acreditam que mais pesquisas são necessárias sobre esse assunto.

Na literatura, os achados dermatoscópicos de círculos brancos ao redor dos folículos e halos brancos ao redor dos vasos não são utilizados separadamente, mas chamados coletivamente de círculos brancos.16,22 Entretanto, Papageorgiou et al. examinaram esses dois achados dermatoscópicos separadamente e enfatizaram que os círculos brancos ao redor dos folículos apoiaram o diagnóstico de CECc invasivo pouco diferenciado.24 Os achados do presente estudo apoiam esse fato. No mesmo estudo, halos brancos ao redor dos vasos foram considerados importante achado dermatoscópico para CECc invasivo inicial. No presente estudo, halos brancos ao redor dos vasos foram mais frequentemente detectados em CECcs bem diferenciados e foram importantes na diferenciação entre CECc invasivo nodular e KA.

A presença de queratina na dermatoscopia tem alta sensibilidade na diferenciação entre diferentes tipos de câncer de pele não melanocítico, distinguindo CECc invasivo e KA de um lado e carcinoma basocelular cutâneo do outro.8 Entretanto, o valor preditivo positivo desse achado dermatoscópico diminui para 50% para diferenciar CECc e KA de DB. No presente estudo, os achados dermatoscópicos de queratinização, círculos brancos e áreas brancas sem estrutura foram menos comuns em pacientes com DB. Como no presente estudo e no estudo de Rosendahl et al., os achados dermatoscópicos de círculos brancos e áreas brancas sem estrutura foram favoráveis a CECc e KA na diferenciação com DB.8

Em seu estudo, Sgouros et al. enfatizaram que erosão foi vista na dermatoscopia principalmente em pacientes com DB, enquanto ulceração foi vista principalmente em pacientes com CECc invasivo.3 No presente estudo, não foram vistas ulcerações em nenhum dos pacientes com DB, enquanto erosão foi mais frequentemente detectada do que em CECc invasivo e KA. Quando avaliados em conjunto com a literatura, esses achados se destacam como importantes na diferenciação dermatoscópica de DB.

Os achados dermatoscópicos vistos em KA incluem fundo branco, tampão central de queratina e vasos lineares irregulares ou em grampo de cabelo.3,6 A literatura enfatiza a similaridade dos achados dermatoscópicos em KA e CECc invasivo.8,26 O achado dermatoscópico mais comum é crosta/escama de queratina, observada em 100% dos KAs e 90% dos CECcs invasivos.23 Os achados dermatoscópicos de crosta/escama de queratina e fundo branco foram mais comumente observados em KA no presente estudo, consistentes com a literatura. Entretanto, o tampão central de queratina foi visto mais significantemente em KA do que em outros subtipos. Como apoiado pelo presente estudo, o tampão central de queratina é importante no diagnóstico de KA.

A apresentação morfológica mais comum do KA é como lesão nodular com margens bem definidas e tampão hiperceratótico central.5 No presente estudo, 69,5% dos pacientes com KA apresentaram lesões nodulares. Lesões nodulares e ulceradas são vistas em CECc invasivo.3 A diferenciação dermatoscópica entre KA e CECc invasivo é importante em lesões com morfologia semelhante. Lin et al. argumentaram que o tampão central de queratina era importante para diferenciar KA de CECc nodular.23 Os achados do presente estudo também apoiam esse fato. O mesmo estudo relatou que estruturas vasculares glomerulares eram as estruturas vasculares mais comuns em CECc nodular, enquanto nenhuma diferença foi encontrada entre CECc e KA em relação a estruturas vasculares ou padrão vascular. No estudo de Pyne et al.,27 vasos ramificados foram considerados mais comuns em KA do que em cSCC invasivo. Nenhum comentário foi feito sobre a morfologias das lesões nesse estudo. Em nosso estudo, padrão vascular ramificado foi visto com mais frequência em pacientes com KA nodular. No diagnóstico dermatoscópico de KA nodular, a presença de tampão central de queratina e estruturas de padrão vascular ramificado devem ser valorizadas.

As limitações do presente estudo são seu desenho retrospectivo, o número relativamente pequeno de lesões examinadas nos subgrupos e a avaliação da morfologia clínica das lesões com base apenas em imagens clínicas, sem palpação.

Conclusões

No presente estudo, achados dermatoscópicos específicos foram obtidos para o diagnóstico diferencial de DB e KA nodular. Entretanto, achados dermatoscópicos específicos não foram detectados para CECc invasivo moderadamente diferenciado.

A precisão dos critérios dermatoscópicos propostos não pode ser generalizada como resultado do presente estudo, mas ajudará os médicos nessa questão, em virtude do número limitado de estudos na literatura.

Suporte financeiro

Nenhum.

Contribuição dos autores

Mustafa Ürün: Aprovação da versão final do manuscrito; concepção, desenho e planejamento do estudo; obtenção, análise e interpretação dos dados; elaboração e redação do manuscrito; revisão crítica da literatura e revisão crítica do manuscrito.

Yıldız Gürsel Ürün: Aprovação da versão final do manuscrito; concepção, desenho e planejamento do estudo; interpretação dos dados; revisão crítica do manuscrito.

Ömer Faruk Elmas: Aprovação da versão final do manuscrito; análise e interpretação dos dados; revisão crítica da literatura.

Nuray Can: Aprovação da versão final do manuscrito; análise e interpretação dos dados; elaboração e redação do manuscrito; revisão crítica da literatura.

Conflito de interesses

Nenhum.

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Como citar este artigo: Ürün M, Ürün YG, Elmas ÖF, Can N. Evaluation of dermoscopic findings in patients with cutaneous squamous cell carcinoma according to histopathological subtype and lesion morphology. An Bras Dermatol. 2025;100. https://doi.org/10.1016/j.abd.2024.09.005

Trabalho realizado no Departamento de Dermatologia, University Hospital, Trakya University, Edirne, Turquia.

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